terça-feira, 24 de março de 2009

Sextas-feiras.

A minha vida aconteceu às sextas-feiras.
A primeira saída com os amigos, quando tudo parecia complicado demais. Meninos, amigas, escola. As brigas que pareciam ser eternas, as pessoas que eu jurei não esquecer, os sonhos que eu construía sem ter muita certeza. As tardes inteiras no shopping, ou na paulista, ou mesmo na escola. Eu lembro como odiavam os filmes que eu escolhia. Sempre uma comédia romântica previsível. Mas ninguém realmente se importava com o filme que estaria passando.
De vez em quando, tinham as festas. Nessas sextas, a gente só almoçava. Nossa, eu sempre acreditei que as festas eram mágicas. Boas ou ruins, sempre existia o ritualzinho. De certa forma, eu acreditava (e talvez ainda acredite) que um sapato e um vestido podem transformar qualquer menina.
Se alguma coisa tivesse que acontecer, seria numa sexta-feira. Um beijo, uma briga, uma história nova. Foi numa sexta-feira que eu fiquei amiga das raimundinhas, foi numa sexta-feira que eu caí de amores, foi numa sexta-feira que eu me levantei. Foi numa sexta-feira que eu descobri o quanto eu gostava dele.
Claro, também existiram as sextas-feiras tristes. Hoje eu rio das nossas discussões idiotas, e dos dias que eu desperdicei sendo boba, mas, naquele tempo, parecia fazer muito sentido. Nossa, quantas expectativas eu tinha. Contava os meses para os 'grandes eventos', que sempre tinham a ver com sextas-feiras.
A rotina era mais ou menos essa: aulas de Educação Física. Depois de oito anos, eu parei até de tentar enganar o professor. Aí a gente esperava. Uma hora pra resolver quem ia, quem não ia. Mais um pouco pra ver onde a gente ia. No fim, até que dava certo.
Perguntavam porque sexta-feira. Também nunca entendi, mas é uma coisa que dá certo até hoje. Se eu quiser marcar qualquer coisa, é melhor marcar sexta-feira.
Eu lembro da última oficial. Demais, até pra mim. A última sexta-feira em que a Bernardino de Campos ia ser o lugar pra gente se encontrar. Com uma roupa preta e uma faixa vermelha, a gente recebeu o papelzinho que simbolizaria o fim da Sexta-Feira. Mas a gente passou dessa fase. Ainda temos o metrô, a rua Estela, o piso Maestro Cardim.
Mas a verdade é que as sextas-feiras passaram rápido demais.

M, AC, A, S, K, J, JS, D, T, P, V, J', P', M', Thks for the fridays.

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