domingo, 13 de setembro de 2009

Uma amiga me disse

"A princípio bastaria ter saúde, dinheiro e amor, o que já é um pacote louvável, mas nossos desejos são ainda mais complexos. Não basta que a gente esteja sem febre: queremos, além de saúde, ser magérrimos, sarados, irresistíveis. Dinheiro? Não basta termos para pagar o aluguel, a comida e o cinema: queremos a piscina olímpica e uma temporada num spa cinco estrelas. E quanto ao amor? Ah, o amor... não basta termos alguém com quem podemos conversar, dividir uma pizza e fazer sexo de vez em quando. Isso é pensar pequeno: queremos AMOR, todinho maiúsculo. Queremos estar visceralmente apaixonados, queremos ser surpreendidos por declarações e presentes inesperados, queremos jantar a luz de velas de segunda a domingo, queremos sexo selvagem e diário, queremos ser felizes assim e não de outro jeito. É o que dá ver tanta televisão. Simplesmente esquecemos de tentar ser felizes de uma forma mais realista. Ter um parceiro constante pode ou não, ser sinônimo de felicidade. Você pode ser feliz solteiro, feliz com uns romances ocasionais, feliz com um parceiro, feliz sem nenhum. Não existe amor minúsculo, principalmente quando se trata de amor-próprio. Dinheiro é uma benção. Quem tem, precisa aproveitá-lo, gastá-lo, usufruí-lo. Não perder tempo juntando, juntando, juntando. Apenas o suficiente para se sentir seguro, mas não aprisionado. E se a gente tem pouco, é com este pouco que vai tentar segurar a onda, buscando coisas que saiam de graça, como um pouco de humor, um pouco de fé e um pouco de criatividade. Ser feliz de uma forma realista é fazer o possível e aceitar o improvável. Fazer exercícios sem almejar passarelas, trabalhar sem almejar o estrelato, amar sem almejar o eterno. Olhe para o relógio: hora de acordar. É importante pensar-se ao extremo, buscar lá dentro o que nos mobiliza, instiga e conduz, mas sem exigir-se desumanamente. A vida não é um jogo onde só quem testa seus limites é que leva o prêmio. Não sejamos vítimas ingênuas desta tal competitividade. Se a meta está alta demais, reduza-a. Se você não está de acordo com as regras, demita-se. Invente seu próprio jogo. Faça o que for necessário para ser feliz. Mas não se esqueça que a felicidade é um sentimento simples, você pode encontrá-la e deixá-la ir embora por não perceber sua simplicidade. Ela transmite paz e não sentimentos fortes, que nos atormenta e provoca inquietude no nosso coração. Isso pode ser alegria, paixão, entusiasmo, mas não felicidade.

Mário Quintana"

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

Autominibiografia

Eu uso calça jeans, principalmente. Tomo Coca-Cola, mas estou tentando diminuir, não uso drogas, gosto de caipirinha de morango, e, sim, isso é pros fracos. Sou fraca mesmo, em todos os sentidos, mas não acho isso ruim.
Odeio pessoas irônicas, mas às vezes, não consigo segurar minha própria ironia. Dificilmente guardo sentimentos ruins, mas quando guardo, é para sempre mesmo. Constantemente, sinto vontade de abrir um buraco no chão e sumir.
Tenho muitos medos. Medo de escuro, medo de levar um fora, medo de rirem de mim, medo de cachorro, medo de ofender, medo de todo mundo morrer, medo. Isso me impede de fazer muita coisa, mas também me poupa.
Não acredito que o Obama seja diferente de todos os outros presidentes do Grande Estados Unidos. Apesar de parecer, não sou anti-americana, só não gosto de pagar pau. (Mas meu sonho é ir para Nova York).
Tenho alguns inimigos mortais, mas eles não sabem disto. Faço tudo por algumas pessoas, mas elas também não sabem disto. Aliás, nenhum deles nunca vai saber, e é melhor assim.
Estudo para entrar na Poli, mas se não entrar, tenho outras opções. Gosto de Matemática, Física, Química e Botânica, odeio Fisiologia, História e Geografia Física. O resto, depende.
Assisto séries sobre pessoas ricas e bonitas, e Ugly Betty e Big Bang Theory. Não gosto de True Blood.
Não sou rica, não sou pobre, não sou a mais bonita, e nem a mais feia. Gosto de falar de mim mesma. Talvez porque é o único assunto sobre o qual eu tenho alguma opinião formada.
Além de cachorros, pessoas irônicas, comida, amor, amigos, e outras coisinhas mais.

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Ai, que vontade.

De tomar um açaí gelado, de rir um pouco com as minhas amigas, de assistir uma comédia romântica, de ir para a praia, de ficar mais um pouco com você.

terça-feira, 1 de setembro de 2009

82

Um monte de gente na porta, olhando o papel ali fixado. Uns, murmurando, talvez rezando, talvez rogando para que aquele de boné, atrapalhando a vista da lista, erre todas as questões. Outros, com o livro na mão, tentando injetar um pouco do que está escrito em sua mente, um mínimo que seja, nessa hora vale tudo. Tem o tiozão, que pode ser um professor de cursinho querendo conseguir colocar o gabarito no ar antes da concorrência, ou um frustrado na profissão querendo mudar de vida. Tem aquele, prestando por desencargo de consciência, ainda nem sabe direito o que quer, não liga de passar por mais um ano de cursinho. Tem os pais abraçando, aconselhando, quase tirando uma foto daquela iniciante, que vai tentar pela primeira vez.
Um nó no estômago. Não devia ter comido, devia ter comido, preciso de uma água, preciso de ar. Por que tanto barulho?! Estalo os dedos. Rôo unha. Não é hora de tentar acabar com os vícios. Ai, acho que esqueci o documento! Ufa, tá no bolso. Putz, não pus o relógio! Ah, tá aqui. Caneta azul, caneta preta, borracha, régua, lápis, ah não! Olha a ponta desse lápis! Respira, respira, não pira.
Um branco. Qual a fórmula de campo eletromagnético? Tenho certeza que vai cair uma questão sobre campo eletromagnético! Qual país tava em guerra? Era na América, tenho quase certeza. Não, não, era na África! Briófitas?! Que são briófitas?! Ah, devia ter trazido um livro também, devia. Não, moça, não quero uma propaganda do seu cursinho, esse ano eu passo! Ah, desculpa, é o seu trabalho, né?
Uma sala organizada. Uma carteira minúscula. Cai o estojo. Cai a água. Cai tudo. Que vergonha. Será que as pessoas percebem? Não, tá todo mundo na mesma situação. Porque ele não tá aqui, pra segurar minha mão e dizer que vai dar tudo certo?! Na hora que eu mais preciso. Ai, que egoísta, ele também deve estar passando por isso, apesar de toda a sua racionalidade. Uhn, ela começou a entregar. Já era.
82 dias.