terça-feira, 30 de junho de 2009

O amor é engraçado. A gente fica louca atrás dele, não para de se questionar porque ele não chega, e, quando estamos prestes a desistir, ele aparece, esbaforido, falando "oi, tô atrasado?" (ele sabe que sim, mas também sabe que independente da hora que ele chegar, ficaremos felizes, então ele aproveita).
No começo, a gente até suspeita. E se não for amor, e se acabar, e se eu estiver me enganando? A gente tenta não se contagiar muito. Ligo, não ligo, só uma vez, então. Fazemos de conta que não estamos nem aí. Mas quando vai ver, já foi. Você liga pra ele cinco vezes por dia, só usa as roupas que ele gosta, faz questão de ir naquele restaurante que ele prefere. Vocês marcam de se encontrar às 8, mas às 6 você já começa a se arrumar. Às 7, bate a dúvida. Será que marquei a hora certa, será que ele vem? Então, às 8 e quinze ele chega e você se desmancha.
Mas esta fase do amor também passa. As dúvidas constantes (mas não todas) dão lugar àlgumas certezas. Você sabe que ele vem. Você sabe de que roupa ele gosta. Você já o conhece tão bem. Se antes você assistia comédias românticas se perguntando "qual é meu problema, por que só eu não acho ninguém?!", agora você vê a personagem principal e pensa, com aquele ar blasè "tsc,é óbvio que ele vai embora, ela tá fazendo tudo errado."
E ele copia a lição pra você e te segura no colo quando você quer chorar. Ele te faz rir, e diz que te ama. E é ele. O amor. Irritante, impossível, amor.

segunda-feira, 29 de junho de 2009

Fim-de-semana Junino

Acabei de ler um livro, recheei um bolo, assisti um filme em preto-e-branco, vi alguns de meus amigos e fiquei com ele.
É,o fim-de-semana teve saldo positivo.


Retificação: queria me desculpar pelo último post. Repensei, e não achei correto. Deve ser um saco estudar anos, trabalhar em estágios que sabem lá Deus como são, e, no fim, ver seu diploma valendo nada. Confesso que foi para agredir uma ou outra pessoa. Gosto de (alguns) jornalistas, ainda que ainda ache que o que os fez bons não foi a faculdade. Mas. É, tchau, não gosto de retificações.

quarta-feira, 24 de junho de 2009

Jornalista em potencial

Eu sou uma jornalista em potencial. Domino, ainda que parcialmente, a norma culta, sei falar sobre alguns assuntos, ainda que precariamente, e, bom, acredito que isto basta.
Bom, prestem atenção. Não disse que sou uma boa jornalista em potencial. Para ser um bom jornalista é, de fato, necessário mais que saber falar palavras difíceis e conhecer superficialmente qualquer assunto. Para isto, existem instrumentos como o google, o yahoo, o dicionário.
Um bom jornalista deve fazer parte do seu texto. Deve colocar sua opinião, de maneira extremamente discreta, e, assim, conduzir o leitor. Um bom jornalista é aquele que nos faz pensar e repensar sobre os nossos pontos de vista.
E isto, meus caros, nenhuma faculdade ensina. Não importa se você fez USP, Cásper, ou Uninove, se você não é capaz de transmitir sua mensagem. Pior ainda, se você não tem mensagem a transmitir. A faculdade é só mais uma etapa. Ninguém lê a reportagem de fulano porque ele é graduado. É preciso entreter, prender. Sim, é quase como escrever uma redação para um vestibular. A única diferença é que, enquanto no vestibular, cinco corretores lêem o que você escreve, quando se é jornalista, milhares o fazem.
Confesso, eu mesma desisti. Até o primeiro colegial, quando os sonhos eram grandes, eu queria ser jornalista, cobrir grandes guerras, mudar as cabeças. Eu acreditava que uma boa Usp me ofereceria isto. Mas não vai. Alguns amigos, professores, minha vó, minha tia e meio mundo ainda acham que eu estou fazendo bobagem. Mas meus argumentos são válidos.
A cada ano, cerca de oitenta alunos se formam na Usp. O número cresce exponencialmente se considerarmos faculdades consagradas, como Puc, Cásper. Se todos estes fossem para guerra... Bom, eu não tenho certeza do que aconteceria. Mas eles não vão pra guerra. Alguns, acabam fazendo outra faculdade. Outros, vão pra revistas de tricô. E há sempre os analistas de sistemas. Ou seja. Uma minoria consegue falar de futebol, de moda, de economia, de guerra. E apesar de eu adorar uma fofoca, eu detestaria ser o obrigada a cobrir a corrida matinal de Siclana.
É por isto, mudei meus planos. Vou viajar, conhecer Milão, Madrid, Barcelona, Ibiza, Lisboa, Porto, Paris, Londres, Atenas, Berlim, Mônaco, Moscou, Nova York, Flórida, Toronto, Sidney, Tóquio, Buenos Aires, a Cidade do Cabo, Dubai, o Afeganistão.
E aí, sem faculdade nenhuma mesmo, volto para contar o que vi.

segunda-feira, 22 de junho de 2009

Você não devia sair por aí, dando flores e levando corações. Isto é muito errado. Não me ligue à tarde para dizer que está com saudade, porque isto está me viciando. Não me faça rir com piadinhas bobas, quero ser uma pessoa séria agora. Pare de ser tão irritante, sempre fazendo exatamente o que eu imaginava. Saia da minha cabeça, saia já! Olha, com este seu jeito eu fico tonta. Vá.
Ou esqueça. Eu nunca deixaria você ir mesmo.

quarta-feira, 17 de junho de 2009

Utopia

Churrascos à beira da piscina. Amigos rindo muito. Uma garrafa gelada de Coca. Um solzão. Ele do meu lado.

terça-feira, 16 de junho de 2009

O Homem que Não Vai Morrer, Nunca

Se ele não chamasse, ninguém perceberia que ele estava lá. "Meu anjo", era o que ele costumava dizer. Fedido, feio, banguela, era a própria representação do que a gente não quer ser. Sempre, sempre chapadão, pedia quando estava com fome, pedia quando estava com frio. Era a pura liberdade. Fazia o que bem entendesse, sem se preocupar com olhares alheios, comentários maldosos, nada. Ninguém mandava nele.
Teve uma época que o tiraram de lá. O povo estranhou, era como se uma parte da rua estivesse faltando. Mas quando todo mundo estava se acostumando, ele voltou. Com o seu sorriso simpático e cheiro insuportável. "Meu anjo, eu tô com fome, meu anjo."
Algumas vezes, uns amigos vinham visitar. Ali, na calçada mesmo, eles faziam a sua festa. Por que não, não é mesmo? Ali era a casa dele. Mais que isto, desconfio que ali era o Reino dele. Ele era o Dono da Rua.
Hoje mesmo, uns amigos dele vieram, estavam vendendo biscoito. Um deles falou para ele comer. "Se você não comer, você vai morrer". "Eu não vou morrer, nunca", ele respondeu, com uma garrafinha de pinga na mão. O outro já ia retrucar, mas percebeu que não ia adiantar. Ele realmente nunca vai morrer.
"Ah, meu anjo, me dá um cigarro? Eu quero fumar, meu anjo"

segunda-feira, 15 de junho de 2009

Uma questão de arrozes.

Hoje, lavei louça, arrumei camas, sequei a louça, guardei a louça, e discuti com meu pai se seria melhor comprar sopa ou fazer arroz (eu queria sopa, ele, arroz). Pois bem, ele venceu. Convenci-me a fazer o arroz (como se pudesse ser diferente) e ainda mandei meu irmão ir correndo até o mercado comprar o bendito, ou maldito?, arroz, e aproveitar e comprar um pouco de molho de tomate. Agora, estou esperando ele chegar.
É meio estranho, porque nunca fiz isso. Eu acordava, tomava café-da-manhã, saía correndo, e quando chegava, mais tarde, meu almoço já estava no microondas (grande invenção, esta). Agora, quando eu chego, só encontro a louça, não apenas a minha, como a de toda família.
Pareço uma patricinha, né? Bom. Experimente lavar dez pratos, cinco canecas, sete facas,três colheres e dois garfos. Sem falar nos vinte cobertores a serem dobrados, cem metros quadrados a serem limpos, ene kilos de roupas a serem penduradas. Só de pensar, já me canso. Verdade, eu queria ser uma perfeita dona-de-casa, mas acho que eu não recebi o "dom". Ok, sem eufemismos. Sou um desastre. Quebro copos, ao invés de lavá-los, esqueço o bife no fogão, mal sei aquecer água. E agora, da água para o vinho, me pedem para estimar quanto de água eu ponho para o arroz ficar no ponto certo.
Volume de um corpo? Ok. Quanto dura um batom? Moleza. São coisas fáceis de se estimar. Mas o arroz. Ah, o arroz é tão abstrato. A mesma medida de água e arroz? E se virar papa? E se ficar duro? Não é como macarrão, que um bom molho resolve. Muito menos como bolo, que qualquer cobertura ajeita. É, odeio arroz, a partir de agora. Por que simplesmente não tomamos sopa?

domingo, 14 de junho de 2009

Dois assuntos disfarçados de um assunto só.

Existem dez mil tipos de perfeição. Cada um inventa o seu. Eu vou restringir os meus para 2. Porque dois é número místico, que representa... Ok, porque dois é um número pequeno.
Há primeiro a perfeição chata. Aquela que ninguém gosta. Sabe, aquelas pessoas que fazem tudo certo, que são exatamente tudo aquilo que tentamos ser e não conseguimos? É destas mesmo que eu estou falando. Extremamente irritantes. Sempre certas, sempre corretas e, pior, muitas vezes legais, daquele jeito "por que você me odeia? eu te adoro!"... ARGH! Você sempre desconfia, não é possível, ela tem que ter um defeito. Aí você procura, feito uma louca. Ah, já sei! Ela tem celulite, ela tem uma espinha, a risada dela é zoada, ela não conhece aquela piada que eu contei e todo mundo riu. Haha, descobri seus defeitos,vou te destruir, você pensa consigo mesma. Aí você fala disto pra todo mundo e, tchans, pega a maior fama de fofoqueira. Ela é perfeita, meu bem, desista. Acho que ela tem poderes psiquicos. É, ela deve ser um pokemón disfarçado. Ah, deixa pra lá, vamos para a próxima.
Bom, a perfeição disfarçada. Aquela que, se você não reparar bem, passa batido. Esta é Bem melhor do que a primeira. Ela não é que nem a outra, que chega causando, dando vontade de espirrar. Ela é bem sutil, você tem que procurar bem. Sabe,você primeiro vê celulites, e espinhas, e risadas engraçadas, e piadas no sense. Aí você acha cômico. Como alguém pode ser tão bizarro, né? Mas, bom, as pessoas mais bizarras são as mais bacanas (desculpa pela gíria vovó) de se conversar. E vocês conversam. E, de repente,você sente alguma coisa estranha. Dá uma mexidinha no nariz, mas, não, não tem vontade nenhuma de espirrar. Aí você fala tudo o que você pensa sobre a Perfeita e ele não te chama de fofoqueira. Ele ri. Ah, deus, ele riu. A risada dele é tão fofinha. Parece o Pateta! E aí você também ri, e emenda um "até que ela não é tão ruim assim". Ele olha pra você, e você pra ele. E você sabe. Simplesmente sabe. Ele não é um pokemón. Ele não é um deus grego. Ele odeia o que você gosta, e ama o que você não suporta. Ele ri de você, e você tem vontade de matar, mas de um jeito bom. Confuso, eu sei. Mas é. Você não escolhe. Quando esta perfeição chega, você nem percebe. Mas quando vai ver, não sabe viver sem.

É, amor,você é perfeito. Por mais chato que isto seja.

sexta-feira, 12 de junho de 2009

12 de junho.

Treze rosas vermelhas, Audrey Hepburn, aquele perfume característico, um sorriso, mil beijos. Cadeiras confortáveis, um cinema novo, um piano, o restaurante de sempre, bolo de chocolate.
E você ainda tenta me dizer que não quer que eu te chame de perfeito? Faz-me rir, meu lindo.

"I don't see what anyone can see, in anyone else, but you."- Juno's soundtrack

quarta-feira, 10 de junho de 2009

Advérbios.

O Sempre não existe, o Nunca é facilmente contestado, o Às vezes é inadmissível.
O Sim só traz problemas, o Não magoa, o Talvez dá raiva.
Ontem já foi, Hoje é chato, Amanhã nunca chega.
Aqui não é bom, Ali não dá pra chegar.
Rápido, devagar, agora, jamais, mais, menos, mais ou menos, muito, pouco, bem, mal, já, algures, alhures, tampouco, quiçá.
Certamente, eternamente, displicente.
Odeio advérbios.

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"O amor, quando se revela...
O amor, quando se revela,
Não se sabe revelar.
Sabe bem olhar p'ra ela,
Mas não lhe sabe falar.

Quem quer dizer o que sente
Não sabe o que há de dizer.
Fala: parece que mente
Cala: parece esquecer

Ah, mas se ela adivinhasse,
Se pudesse ouvir o olhar,
E se um olhar lhe bastasse
Pra saber que a estão a amar!
Mas quem sente muito, cala;
Quem quer dizer quanto sente
Fica sem alma nem fala,
Fica só, inteiramente!

Mas se isto puder contar-lhe
O que não lhe ouso contar,
Já não terei que falar-lhe
Porque lhe estou a falar
..." - Fernando Pessoa

terça-feira, 9 de junho de 2009

(Sem título)

Ok, desencanei da idéia de pôr textinhos. Muito clichê, muito breguinha. Ah, mas até que era bonitinho.

Bom. Vou falar da minha vida, então.
Tenho um pai, uma mãe, um irmão, uma irmã e um namorado. Tenho aproximadamente vinte amigos, mais pra menos que pra mais, e a estes devo tudo. O resto é resto, como dizem nas quebradas. Gosto de comer, principalmente queijo, frango e chocolate. Mas não tudo junto, óbvio. Prefiro matemática, mas tenho que aprender tudo para passar no melodrama do vestibular. Quero ir para a Europa, conhecer o Louvre, a Torre Eiffel, o Big Ben, o Coliseu, as gôndolas venezianas, e a Topshop. (Eu sei, amor, você conhece tudo isto). Eu ia falar 'meu sonho é', mas ainda não decidi qual é o meu sonho. Ah é, eu quero ser capa da Capricho e virar uma ídola teen. Bom, engenheiros não são ídolos teens, porque essa juventude não sabe de nada. Então, é, não serei ídola teen. Mas quem sabe eu escrevo um livro e o autor principal do filme inspirado do meu livro aparece na capa da Atrevida. Nunca se sabe.
A propósito, desculpem a enrolation.
Beijos.

Hoje é aniversário do Ivan(:
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Só um pedacinho ou, bem, um pedação, que eu não resisto a Vinícius. Não leiam se acharem chato demais. Deixa passar o dia 12 que eu volto ao semi-normal, tá?

"Para viver um grande amor
Para viver um grande amor, preciso é muita concentração e muito siso, muita seriedade e pouco riso — para viver um grande amor. Para viver um grande amor, mister é ser um homem de uma só mulher; pois ser de muitas, poxa! é de colher... — não tem nenhum valor. Para viver um grande amor, primeiro é preciso sagrar-se cavalheiro e ser de sua dama por inteiro — seja lá como for. Há que fazer do corpo uma morada onde clausure-se a mulher amada e postar-se de fora com uma espada — para viver um grande amor. Para viver um grande amor, vos digo, é preciso atenção como o "velho amigo", que porque é só vos quer sempre consigo para iludir o grande amor. É preciso muitíssimo cuidado com quem quer que não esteja apaixonado, pois quem não está, está sempre preparado pra chatear o grande amor. Para viver um amor, na realidade, há que compenetrar-se da verdade de que não existe amor sem fidelidade — para viver um grande amor. Pois quem trai seu amor por vanidade é um desconhecedor da liberdade, dessa imensa, indizível liberdade que traz um só amor. Para viver um grande amor, il faut além de fiel, ser bem conhecedor de arte culinária e de judô — para viver um grande amor. Para viver um grande amor perfeito, não basta ser apenas bom sujeito; é preciso também ter muito peito — peito de remador. É preciso olhar sempre a bem-amada como a sua primeira namorada e sua viúva também, amortalhada no seu finado amor.É muito necessário ter em vista um crédito de rosas no florista — muito mais, muito mais que na modista! — para aprazer ao grande amor. Pois do que o grande amor quer saber mesmo, é de amor, é de amor, de amor a esmo; depois, um tutuzinho com torresmo conta ponto a favor...Conta ponto saber fazer coisinhas: ovos mexidos, camarões, sopinhas, molhos, strogonoffs — comidinhas para depois do amor. E o que há de melhor que ir pra cozinha e preparar com amor uma galinha com uma rica e gostosa farofinha, para o seu grande amor? Para viver um grande amor é muito, muito importante viver sempre junto e até ser, se possível, um só defunto — pra não morrer de dor. É preciso um cuidado permanente não só com o corpo mas também com a mente, pois qualquer "baixo" seu, a amada sente — e esfria um pouco o amor. Há que ser bem cortês sem cortesia; doce e conciliador sem covardia; saber ganhar dinheiro com poesia — para viver um grande amor. É preciso saber tomar uísque (com o mau bebedor nunca se arrisque!) e ser impermeável ao diz-que-diz-que — que não quer nada com o amor. Mas tudo isso não adianta nada, se nesta selva obscura e desvairada não se souber achar a bem-amada — para viver um grande amor." - Vinícius de Moraes

segunda-feira, 8 de junho de 2009

Plágio

Pelo dia 12, vou pegar uns textos que acho bonitinho e dispensam mais explicações, além da minha falta de inspiração.


"Você ama, mas...
Não é o tempo inteiro que você ama quem você ama. Há intervalos, pausas, preguiças. Às vezes você passa um tempo sem amar quem você ama. Mas basta um perigo, ma doença, um assédio para você despertar para o seu amor, como de uma cochilada.
Nada a ver com desinteresse. Às vezes quem você ama faz alguma coisa que não é legal, que mexe com você, como uma palavra no tom errado, mas é coisa pequena, não vale a pena cobrar. Fica aquela preguiça, corpo mole. Beija, mas não é aquele beijo.
Outras vezes você acha que o seu amor falhou com você. Ou porque se esqueceu do seu aniversário, ou porque não ligou o dia inteiro, ou porque ligou o dia inteiro, ou porque passa tempo demais na internet, ou com fones de ouvido, desligado de você. Então você se permite um tempo para descansar um pouco do seu amor. Acha que esá dando mais do que recebendo, e com isso tem deixado de fazer coisas, suas coisas. Aproveita o tempo para responder e-mails acumulados, enviar fotos que ficou devendo, lavar o carro, copiar a chave perdida, levar o cão para um banho e tosa, pagar uma visita, levar aquele sapato para o conserto, talvez pedalar no parque. É gostoso esse tempo em que você não ama quem você ama, é quase como um fim de semana prolongado, sem viajar.
Tem horas em que você não se lembra de que está amando quem você ama, com tanta coisa para fazer disputando espaço na sua cabeça: trabalho, vestibular, currículo, entrevista, negócio, mãe, prestação vencida, filho, escola, compromissos, trânsito - e se distrai. Nessas horas, você não está amando quem você ama. Não são falhas, são intervalos.
Chega um dia em que você precisa receber mais atenção de quem você ama, está carente, hipersensível, e não recebe. Em reposta, você dá uma recuada. Ou tem dia em que você está muito a fim e não coincide, e aí você recolhe a mão curiosa. Ou quer carinho e a mão não chega. Você vai pra dentro da sua concha e deixa de amar quem você ama por um tempo variável de minutos a dias.
Pode acontecer uma vacilada. Não é que você não esteja mais amando quem você ama, é só um vacilo. Por exemplo, encontra casualmente uma paquera dos tempos da faculdade, ou uma paixão do colégio, aquela coisa que não chegou a ser, e alonga a conversa, fica testando se a outra parte desencanou total como você ou se guardou alguma coisa, é mais vaidade do que curiosidade, você fica tentando captar algum sinal, nem sabe se teria coragem, e nada acontece, e se despedem, e vcê passa uns dias com aquela imagem voltando... - e nos momentos dessa inquietação nostálgica você não está se lembrando de que ama mesmo é quem você ama.
Chuva, quando se está só, também deixa a gente precisando. Em caso de viagem, chega a doer, e você percebe que é saudade de abraço, da coisa física que é o abraço, impessoal de tão abraço. Nesse momento animal, você nem esá amando quem você ama, aquela coisa é só você, solidão.
É exaustivo manter a corda do amor esticada o tempo todo, e você descansa o braço para relaxar. Não é desamor, é uma pausa para beber água - mas já pensou se aquela bandida ou aquele bandido passa numa hora frágil dessas? São coisas que acontecem ao longo de um amor, e o momento passa sem bandidos, que apenas riscam a paisagem e somem como pássaros.
Quando você dorme, você não ama. É o melhor descanso. E quando sonha, então? Pode até permitir carícias de fantasmas, mas não é você que está ali, é tudo uma fantasia da qual quem ama retorna sem culpa.
Não é sempre que você ama quem você ama, mas, quando se dá conta, já passou uma vida inteira amando quem você ama." - Ivan Angelo

segunda-feira, 1 de junho de 2009

Ai dele!

Eu odeio quem finge falar de amigos, conhecidos, e, na verdade, está falando de si mesmo. Mas o caso é que eu queria falar de um assunto que tem tudoaver com essa minha amiga.
Ela é ciumenta. Muito. E também é orgulhosa demais para admitir. Ela pode fazer escândalos, chorar, pagar meeegas micos, mas assumir? Jamais!
Mas tudo bem. Ela não está sozinha. Toda mulher é. Fato. Ou então é mentirosa. Acontece que a minha amiga odeia isso. Ela não é muito fã de ser que nem as outras, sabe? E se ela detesta alguma coisa, é sentir ciúmes. Ela sabe que o ciúmes é sem noção, e tal, mas ela não consegue evitar.
Ela tenta, veja bem, tenta muito, mas é só ver o namorado dela dando risada com outra pessoa, ou a amiga contando um supersegredo para outra que a luzinha já começa a piscar. É um saco, ela diz. E o pior é quando ela se segura. Aí vem alguém e fala "como você deixa...?" Aai, que irritante. Tinha até esquecido o alarme-ciúmes, parecia que ele estava desligado e, pronto, foi lá alguém e ligou.
Ah, e quando ela era uma pessoa de quedinhas, então. Ela achava o menino bonitinho. Aí chegava uma bonitona. Pronto, ela já queria matar! Sem ter falado, fa-la-do, com o menino. Tempos de crise.
Mas não tem problema. Esta fase já passou,minha amiga tem um namorado superfofo, que ela ama e sabe que ele é a pessoa mais confiável do mundo. Mas ai dele se ele sair sozinho com ela, ai dele!

Ah, e a propósito, não vou falar quem ela é. Esqueçam!