quarta-feira, 24 de junho de 2009

Jornalista em potencial

Eu sou uma jornalista em potencial. Domino, ainda que parcialmente, a norma culta, sei falar sobre alguns assuntos, ainda que precariamente, e, bom, acredito que isto basta.
Bom, prestem atenção. Não disse que sou uma boa jornalista em potencial. Para ser um bom jornalista é, de fato, necessário mais que saber falar palavras difíceis e conhecer superficialmente qualquer assunto. Para isto, existem instrumentos como o google, o yahoo, o dicionário.
Um bom jornalista deve fazer parte do seu texto. Deve colocar sua opinião, de maneira extremamente discreta, e, assim, conduzir o leitor. Um bom jornalista é aquele que nos faz pensar e repensar sobre os nossos pontos de vista.
E isto, meus caros, nenhuma faculdade ensina. Não importa se você fez USP, Cásper, ou Uninove, se você não é capaz de transmitir sua mensagem. Pior ainda, se você não tem mensagem a transmitir. A faculdade é só mais uma etapa. Ninguém lê a reportagem de fulano porque ele é graduado. É preciso entreter, prender. Sim, é quase como escrever uma redação para um vestibular. A única diferença é que, enquanto no vestibular, cinco corretores lêem o que você escreve, quando se é jornalista, milhares o fazem.
Confesso, eu mesma desisti. Até o primeiro colegial, quando os sonhos eram grandes, eu queria ser jornalista, cobrir grandes guerras, mudar as cabeças. Eu acreditava que uma boa Usp me ofereceria isto. Mas não vai. Alguns amigos, professores, minha vó, minha tia e meio mundo ainda acham que eu estou fazendo bobagem. Mas meus argumentos são válidos.
A cada ano, cerca de oitenta alunos se formam na Usp. O número cresce exponencialmente se considerarmos faculdades consagradas, como Puc, Cásper. Se todos estes fossem para guerra... Bom, eu não tenho certeza do que aconteceria. Mas eles não vão pra guerra. Alguns, acabam fazendo outra faculdade. Outros, vão pra revistas de tricô. E há sempre os analistas de sistemas. Ou seja. Uma minoria consegue falar de futebol, de moda, de economia, de guerra. E apesar de eu adorar uma fofoca, eu detestaria ser o obrigada a cobrir a corrida matinal de Siclana.
É por isto, mudei meus planos. Vou viajar, conhecer Milão, Madrid, Barcelona, Ibiza, Lisboa, Porto, Paris, Londres, Atenas, Berlim, Mônaco, Moscou, Nova York, Flórida, Toronto, Sidney, Tóquio, Buenos Aires, a Cidade do Cabo, Dubai, o Afeganistão.
E aí, sem faculdade nenhuma mesmo, volto para contar o que vi.

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